Coronel Fabriciano

Coronel Fabriciano - Area Central 
Foto: Elvira Nascimento

Coronel Fabriciano é uma das quatro cidades que formam a Região Metropolitana do Vale do Aço, junto com Ipatinga, Timóteo e Santana do Paraíso. Ocupa uma área de pouco mais de 221 km², sendo aproximadamente 17 km² em área urbana, e sua população estimada em 2017 era de 110 326 habitantes.

O desbravamento da região do atual município de Coronel Fabriciano teve início na segunda metade do século XVI. Expedições como a de Fernandes Tourinho, em 1572, seguiam pelos chamados Sertões do Rio Doce à procura de metais preciosos. O local se encontrava em uma via de escoamento das pedras preciosas extraídas na região central mineira, que ligava a Estrada Real ao Litoral do Espírito Santo, no entanto o povoamento e a abertura de novas trilhas pela região do vale do rio Doce foram proibidos na primeira metade do século XVII, a fim de evitar o contrabando de ouro por meio do rio Doce e seus afluentes, como o Piracicaba.

O povoamento foi liberado em 1755, após Minas Gerais passar por um declínio na produção de ouro. Nesta mesma ocasião, foi aberta uma estrada ligando Vila Rica (atual Ouro Preto, então capital da Província de Minas Gerais) a Cuieté, visando ao transporte do ouro extraído na região do atual município de Conselheiro Pena, cujo metal viria a se esgotar após 1780.

Associada ao fluxo do transporte pelos rios, a partir da existência dessa estrada é que surgiram os primeiros focos de colonizadores no interior do vale do rio Doce e por volta de 1800, estabeleceu-se em área fabricianense Francisco Rodrigues Franco. Na mesma ocasião, José Assis de Vasconcelos, oriundo de Santana do Alfié, tomou posse de terras nas proximidades do atual núcleo industrial da Usiminas.

Em 1825, uma estrada foi aberta por Guido Marlière ligando Antônio Dias ao rio Santo Antônio, nas proximidades de Naque, cruzando a Serra dos Cocais por onde depois surgiria o povoado de São José dos Cocais.

Assim, o fluxo de tropeiros entre os povoamentos, intensificado ao longo do século XIX, que cruzavam a região vindos de Antônio Dias, Ferros, Santana do Paraíso, Mesquita e Joanésia, levou à formação de um pequeno aglomerado, mais tarde denominado Santo Antônio do Gambá, também conhecido como Santo Antônio de Piracicaba, no atual bairro Melo Viana. O firmamento de pequenos proprietários de terra implicou no desenvolvimento do povoamento em função da agropecuária.

 Em 11 de setembro de 1831, Francisco de Paula e Silva (conhecido por Chico Santa Maria, por ser natural de Santa Maria de Itabira) se estabeleceu juntamente com sua família e numerosos escravos nas proximidades do atual bairro Alegre, em Timóteo. Francisco desenvolveu a agricultura na região e sua propriedade servia como ponto de parada para os viajantes.

Originalmente, a localidade fez parte da Vila de Itabira, criada em 1833 ao ser desmembrada de Caeté e elevada à condição de cidade em 1848, e em 1911 o povoamento passou a pertencer a Antônio Dias.

Na década de 1920, após a retomada da construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), paralisada em Belo Oriente, observou-se um desenvolvimento populacional em função do estabelecimento de trabalhadores incumbidos da obra, na Barra do Calado.

Pela lei estadual nº 823, de 7 de setembro de 1923, houve a criação do distrito com a denominação de Melo Viana, tendo a sede em Santo Antônio de Piracicaba, e a Estação do Calado foi inaugurada em 9 de junho de 1924. O nome "Melo Viana" é uma referência ao ex-senador, secretário de interior e vice-presidente da república Fernando de Melo Viana.

Ao redor da estação, começaram a ser levantadas as primeiras moradias — pequenos barracos — do atual Centro de Fabriciano. No entanto, somente em 1928 é que foi construída a primeira edificação em alvenaria; o Sobrado dos Pereira, que ainda existe na esquina das atuais ruas Pedro Nolasco e Coronel Silvino Pereira, que foi a construção mais imponente da cidade até meados da década de 1940. Também em 1928, foi instalada a Escola Rural Mista, que foi a primeira escola regular, dirigida pela professora Mariana Roque Pires. Devido à distância até o terminal ferroviário, o Cartório do Melo Viana foi transferido para o Calado em 1933, alterando-se então a sede do distrito.

Em 1936, a Companhia Siderúrgica Belga Mineira, instalada em João Monlevade, instala nas proximidades da estação do Calado a Superintendência de Terras, Matas e Carvão, que cuidaria de transformar a extensa mata da região em carvão vegetal para alimentar seus autos fornos. O carvão transportado em caminhões até a estação era embarcado nos trens da Estrada de Ferro Vitória a Minas com destino a João Monlevade.

Com a instalação dos serviços da Belgo Mineira no povoado, diversas construções foram realizadas, como o escritório da empresa, casas em alvenaria para seus funcionários, o Hospital Siderúrgica e os hortos florestais, como o Cascudo, na sede do distrito de Melo Viana.

Influenciado por uma economia crescente, o comércio principalmente na Avenida Pedro Nolasco se fortalece com a chegada de novas lojas, inclusive conhecidas nacionalmente. A Serraria Santa Helena é instalada na década de 1940, quando passou a absorver grande número de mão de obra do povoado.

O desenvolvimento observado em função da vinda de complexos siderúrgicos culminou na criação do município, emancipado de Antônio Dias em 1948. Sediou os núcleos industriais da Acesita e Usiminas, que foram essenciais para a evolução da cidade.  O povoado formado por um pequeno número de casas inicia um relativo crescimento, influenciado pelas atividades ferroviárias.

A cultura passa a ter destaque entre a população, com a criação da Corporação Musical Nossa Senhora Auxiliadora e do grupo teatral Clube Dramático Cordélia Ferreira.

Em 1940, o Calado, já como sede do distrito, passa a se chamar Coronel Fabriciano em homenagem ao comerciante e político antoniodiense, Coronel Fabriciano Felisberto de Brito.

Em 1944 é instalado no povoado de Timóteo a Companhia Aços Especiais Itabira – Acesita. Timóteo também, como Coronel Fabriciano, pertencia ao município de Antônio Dias.

Em 1948, Coronel Fabriciano é elevado à cidade, e sua emancipação incluiu as áreas dos atuais municípios de Timóteo e Ipatinga e parte da Serra dos Cocais.

Após a emancipação, Coronel Fabriciano passou por diversas transformações urbanas, com abertura de novos bairros e ruas. O comércio de fortaleceu, transformando-se num dos mais importantes centros comerciais do leste mineiro.

 

Em 1958, no povoado de Ipatinga, inicia-se a instalação da Usiminas, a maior siderúrgica de aços planos da América do Sul, fortalecendo ainda mais o comércio fabricianense.

Em 1964, Ipatinga e Timóteo se emancipam iniciando então a formação do que veio a ser a Região Metropolitana do Vale do Aço, destacando como um dos mais importantes pólos industriais do estado.

Atualmente, Fabriciano mantem sua vocação comercial e prestadora de serviços. Abriga inúmeras empresas comerciais de destaque regional e é sede de diversas instituições públicas, estaduais e federais, a exemplo da Diretoria Regional de Saúde, a Superintendência Regional de Ensino, a Justiça do Trabalho e a Delegacia Regional da Receita Federal. Em paralelo, o município vem incentivado novas atividades, destacando a Indústria com várias unidades instaladas no distrito Industrial.

Destaca-se também o turismo, aproveitando o potencial natural da Serra dos Cocais, somado as festas religiosas e os eventos de cultura e negócios como a Rota de Sabores, o maior evento gastronômico do interior de Minas Gerais.

Na área de Educação, a cidade abriga a sede do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste MG, a maior instituição de Ensino Superior da Região Metropolitana do Vale do Aço.

Tradições culturais como as marujadas, o artesanato e de celebrações religiosas como as festas de São Sebastião, da Semana Santa e de Corpus Christi se fazem presentes no município, bem como os monumentos de valor histórico e patrimonial da Igreja Matriz de São Sebastião, uma das primeiras igrejas da cidade, o Colégio Angélica, fundado em 1950 e cuja fachada preserva sua arquitetura original, e o Monumento Terra Mãe, marco zero fabricianense.

A Serra dos Cocais concentra diversos atrativos ecoturísticos, dentre as diversas trilhas, montanhas e cachoeiras, como a Pedra Dois Irmãos, cujo acesso é feito por trilha íngreme e de mata fechada, sendo possível visualizar as três cidades do Vale do Aço de seu topo; a Pedra dos Cem Homens, que também é constantemente utilizada para escaladas; a Pedra do Caladão, localizada próxima ao bairro de mesmo nome, possível de ser avistada de vários pontos da cidade; a Cachoeira do Escorregador, cujas pedras da queda formam uma espécie de tobogã natural; o Cachoeirão, que possui cerca de 120 metros e é constantemente utilizado para a prática de trekking, sendo cercado por um cinturão verde remanescente da Mata Atlântica; e a Biquinha de Santa Vitória, que é uma fonte natural de água potável localizada nas proximidades do povoado Santa Vitória dos Cocais. Ainda há as cachoeiras da Limeira e da Manoela, o Escorregador do Zé Martins e as Trilhas da Mamucha.

No povoado de São José dos Cocais, a Igreja São José foi erguida por iniciativa dos moradores da comunidade na década de 1950 é uma das edificações mais antigas do município que ainda mantém suas características arquitetônicas originais, assim como a Igreja Nossa Senhora da Vitória, em Santa Vitória dos Cocais, construída na mesma ocasião.

A Serra dos Cocais dispõe ainda de mirantes, de onde é possível ter visões panorâmicas da serra, de Fabriciano e ainda de parte das cidades vizinhas.  Fora dos Cocais, próxima ao perímetro urbano da cidade, nas proximidades do Distrito Industrial, a APA da Biquinha é outro dos principais atrativos naturais do município. Além de reserva ecológica, também é utilizada para caminhadas e passeios. A Cachoeira Salto das Pedras, que está localizada próxima à APA do Recanto Verde, conta com área de churrasco.

A zona urbana de Coronel Fabriciano abriga monumentos e atrativos com valor histórico e cultural, a exemplo do Santuário Nossa Senhora da Piedade, do Sobrado dos Pereira, da Escola Estadual Professor Pedro Calmon, do Salão Paroquial e da Capela Nossa Senhora Auxiliadora, no Hospital Doutor José Maria Morais. A fachada da Igreja Bom Pastor, no bairro Giovannini, apresenta um grande mosaico feito em cerâmica que retrata a figura de Jesus com um rebanho de ovelhas. Em outubro de 2014, foi inaugurado o Museu José Avelino Barbosa, que é o primeiro museu público do município, composto inicialmente por cerca de 200 itens dentre documentos, fotografias, quadros e peças e cujo nome reverencia o empresário e comerciante que foi um dos pioneiros da cidade.

No Unileste, a casa de hóspedes e sede da reitoria da instituição, a "Fazendinha", foi construída inspirada nas antigas sedes de fazendas. Tem estilo rústico, destacando-se pelo uso de madeiras nobres e raras. O interior da instituição abriga ainda o Museu Padre Joseph Cornélius Marie de Man, construído em formato de círculo e cujo acervo é constituído de documentos, fotografias e objetos que contam a história da cidade e da entidade; o Teatro João Paulo II, no andar térreo do Colégio Padre de Man, que tem capacidade para 520 espectadores e é um dos maiores do Vale do Aço; e a Biblioteca Dom Serafim Cardeal Fernandes Araújo (Biblioteca Central), que possui um dos maiores acervos bibliográficos da região.

Na cidade, destacam-se também:

Catedral de São Sebastião: Está situada no bairro Santa Helena e foi inaugurada em 4 de julho de 1993 pelo então pároco padre Élio, sendo a cossede da Diocese de Itabira-Fabriciano. Sua arquitetura é baseada em estilo oriental, inspirada na Catedral de Tóquio, e abriga em seu exterior uma miniatura da Estação do Calado.

Colégio Angélica:  Foi inaugurado em 1950 e seu prédio é propriedade da Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência. Sua fachada mantém todo o projeto original, em que os elementos se repetem de forma simétrica e as janelas cobrem quase todos os planos e possuem estrutura em madeira.

Fotos: Elvira Nascimento


Galeria de imagens

Procissão de São Sebastião
Foto: Elvira NascimentoFestival Gastronômico - Rota dos Sabores
Foto: Elvira NascimentoFesta do Rosário  - Cocais
Foto: Elvira NascimentoFabriciano - Vista Área Central
Foto: Elvira NascimentoColégio Angélica
Foto: Elvira NascimentoCachoeira do Limeira - Serra do Cocais
Foto: Elvira Nascimento

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