Cuitelão - Jacamaralcyon tridactyla - Ave endêmica do Brasil e que ocorre hoje apenas nos estados de MG, BA e RJ, integrando a lista global das aves ameaçadas de extinção

Serra dos Cocais, um paraíso para observação de aves

Publicado em 24 de fevereiro de 2019

Após algum tempo de espera e silêncio, algo finalmente bate as asas entre árvores e arbustos na região do Cocais das Estrelas, no município de Antônio Dias, a mais de 800 metros de altitude. O gesto, apesar de sua simplicidade e singeleza, arrancou fortes emoções das pessoas que participam as jornadas de observação de pássaros que atualmente são organizadas no Vale do Aço. A atividade, internacionalmente conhecida como birdwatching, vem a cada dia ganhando adeptos na região, graças, principalmente, ao projeto desenvolvido pela DUPERD (Associação de Amigos do Parque Estadual do Rio Doce) e ao trabalho conjunto realizado através do "Projeto Turismo no Vale", desde 2016.  

Munidos de binóculos, roupas especiais e máquinas fotográficas, algumas de última geração, os observadores puderam acompanhar os voos e o comportamento dos passarinhos, das mais variadas espécies. Apesar dos poucos segundos que duraram cada observação, para os participantes, o êxtase provocado vai durar uma eternidade em suas lembranças.  

De acordo com a agente de turismo receptivo Ana Cleide Santos, "passarinhadas" como essas, são feitas nos finais de semana ou feriados, com os participantes parando em pontos específicos com concentração de aves, onde passam desde minutos até mesmo horas observando, fotografando e parando novamente, sempre que o trajeto oferece uma oportunidade. “ É uma caminhada agradável, onde todos ficam com os olhos fixos na natureza, mas também ouvindo histórias de observação de aves, sempre na expectativa de que algumas delas nos brindem com sua beleza e liberdade”, explica.  

Para o guia Henrique Junior, um dos poucos especialistas na região sobre o assunto, o Vale do Aço é um local privilegiado neste quesito: “em todos os lugares existem pássaros e, à medida que a pessoa desenvolve essa atividade, ela quer ver novas espécies e procurar pelas aves que ainda não fotografou”.

Esperando a próxima
Entre os integrantes dos passeios que já passou por locais como Cocais das Estrelas, se encontra desde veteranos a novos interessados, que já incorporam o estilo calmo, sereno e tranquilo dos praticantes da atividade. É o caso do profissional de TI Márcio Bersot, que tem um grupo de amigos que como ele, gosta de fotografar a natureza. Ele considerou proveitosa a experiência: “Eu não tenho muita vivência em observar pássaros, mas estou adorando e pretendo repetir várias outras vezes”. 

Outro participante entusiasmado é o médico urologista Renato Cunha, que sempre pedala na estrada do Cocais das Estrelas: “Já passei aqui, várias vezes, de bicicleta sempre descubro várias espécies. Acho sensacional! Vale à pena.” 

Já a artista visual Rita Bordone, arremata poeticamente as aventuras vividas em um de seus passeios: “Entre saís, saíras, surucuás, almas de gato, cuitelões e tantos outros cantos e cores, assim foi a manhã da nossa passarinhada. Quem venham outras!”

Antes do “Vamos Passarinhar” o "Projeto Turismo no Vale" - criado por meio de uma parceira do Circuito Mata Atlântica (CTMAM) e o Sebrae/MG, - ajudou a organizar atividades como o Encontro Técnico para Observadores de Aves, em março de 2017.

Na oportunidade, estiveram na região a bióloga Tietta Pivatto, especialista em ecologia e ecoturismo e do publicitário Fred Crema, mestre em meio ambiente e desenvolvimento regional e conhecido guia naturalista especializado em observação de vida selvagem. Esse encontro impulsionou a realização do “Vem Passarinhar MG”, em outubro de 2017, levando quase 100 pessoas de todo o Estado ao Parque Estadual do Rio Doce. 
  

Apesar do interesse recente,atividade cresce exponencialmente

Os birdwatchers do Vale do Aço podem se considerar pessoas privilegiadas. Morando em área cercada pela Mata Atlântica e que, além das montanhas e vales, tem como atrativo principal o Parque Estadual do Rio Doce. No ranking nacional, Minas Gerais está bem posicionada, com 777 espécies, o que rende ao Estado a quinta posição nesse quesito. 

A região apresenta um alto potencial para o desenvolvimento no setor, já tendo registrado  mais de 350 espécies diferenciadas, muitas delas ameaçadas de extinção. O Brasil é o segundo país em número de espécies de aves - 1.919, ficando atrás apenas da Colômbia.

A atividade de observação de aves é praticada por milhões de pessoas em todo o mundo e o Brasil já conta com mais de 30 mil observadores. Somente nos Estados Unidos, mais de 47 milhões de pessoas declaram-se observadoras de aves e cerca de 18 milhões praticam a atividade. Nas terras do Tio Sam, o passatempo já se tornou um supernegócio, que gera mais de 600 mil empregos e movimenta quase US$ 106 bilhões por ano.


Galeria de imagens

Equipe de um dos passeios
Foto: Jorge SiqueiraSaíra-douradinha - Tangara cyanoventris - uma das aves flagradas pelos observadores durante o tour na Serra dos Cocais - Foto Renato Cunha

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